
INSULAR
Entre o outono e a neve
construí uma ilha
e deixei correr nos meus olhos
a véspera de um rio
e a linguagem absurda das ideias
com identidade suspeita.
Na vertente do corpo
havia um lugar frágil,
onde o cheiro das maçãs
se transformava em orvalho
e as mãos escorregavam
pelo lado morno da voz,
até à represa de um chamamento azul.
Vim do lado sul
de todos os caminhos
que vão dar à sede.
Conheci a turbulência
de um verão intacto
e desenhei a curva
incontornável da lua cheia.
Graça Pires
7 Comments:
At 10:48 da tarde,
JPD said…
...e eu voltei a ficar deliciado com a poesia da Graça Pires e da excepcional escolha que fizeste, maria.
Bjs
At 1:45 da manhã,
wind said…
Contigo tenho conhecido Graça Pires e gosto muito. Obrigada e boa semana:-) beijos:)**
At 5:18 da tarde,
Å®t Øf £övë said…
Muito bonito.
Boa semana.
Bjs.
At 9:22 da tarde,
lique said…
Belíssimas as palavras desta poetisa que vou conhecendo aqui! Obrigada pelas tuas escolhas, Maria. Um beijinho
At 1:11 da tarde,
Menina Marota said…
"Na vertente do corpo
havia um lugar frágil,
onde o cheiro das maçãs
se transformava em orvalho
e as mãos escorregavam
pelo lado morno da voz,
até à represa de um chamamento azul."
Gostei muito do poema...da sensibilidade e pureza que transparece nele...
Um abraço e bom fim de semana... :-)))
http://eternamentemenina.blogs.sapo.pt/
At 8:35 da tarde,
Anónimo said…
E venho aqui arranjar alento para passar este fim de semana em Poesia! Bom fim de semana!**
At 8:35 da tarde,
Anónimo said…
E.. o comentário anterior é meu.. :/.. M.P.
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