Também os Livros como estrelas estão abertos
em grandes vazios. O estrondo das explosões solares
não é sequer ouvido nos planetas mais chegados
tal como o coração ruidoso de um amante
passa ignorado por aqueles que não crêem.
Embora os Livros brilhem e atraiam os errantes
para que se purifiquem e percam matéria
tanta solidão torna-os pesados abismando todo o campo
da sabedoria. Os astrónomos desenham então constelações
que são como amores falsos e contratos fraudulentos.
Mas os Livros brilham abertos toda anoite
e aquecem o que os homens entregam para arder.
As estrelas entretanto acenam com protuberâncias
e só de muito longe a vida corresponde.
Ouve-se um murmúrio fóssil: é a recitação perpétua
do breve e belíssimo verso inicial.
In A Nuvem, Carlos Poças Falcão
6 Comments:
At 1:23 da manhã, wind said…
Não sei que escrever, sinceramente, é um poema belo e "forte"! beijos:)*
At 8:47 da manhã, A.S. said…
..."mas os livros brilham abertos toda a noite e aquecem o que os homens entregam para arder"
Um beijo
At 6:00 da tarde, lique said…
Não conhecia o poeta. O poema é extrordinário, uma visão cósmica da força das palavras. Beijinhos, Maria.
At 10:02 da tarde, JPD said…
Não conheço ete autor.
É a primeira vez que dele leio alguma coisa.
A escolha merece aplauso porque o texto é muito interessante.
O nosso quotidiano é impensável sem a frequência dos livros, afinal de contas, o melhor suporte de ideias e professias...além da nossa memória, da nossa cognição.
Bjs
At 6:53 da tarde, Nilson Barcelli said…
Excelente pedaço de texto que escolheste.
Parabéns por esse zoom.
Beijinho
At 8:46 da tarde, M.P. said…
Livros de Sabedoria que não esvanecem com tempo. Livros a que o tempo transforma em Farol de Vida e que nos ajudam a procurar Nortes quando somos assolados por ondas altas que nos despenham em abismos de desorientação! :)**
Enviar um comentário
<< Home