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palavras...como "rosas de areia" ou "flores do deserto"...

segunda-feira, novembro 15, 2004

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OS LIVROS

Também os Livros como estrelas estão abertos
em grandes vazios. O estrondo das explosões solares
não é sequer ouvido nos planetas mais chegados
tal como o coração ruidoso de um amante
passa ignorado por aqueles que não crêem.
Embora os Livros brilhem e atraiam os errantes
para que se purifiquem e percam matéria
tanta solidão torna-os pesados abismando todo o campo
da sabedoria. Os astrónomos desenham então constelações
que são como amores falsos e contratos fraudulentos.
Mas os Livros brilham abertos toda anoite
e aquecem o que os homens entregam para arder.
As estrelas entretanto acenam com protuberâncias
e só de muito longe a vida corresponde.
Ouve-se um murmúrio fóssil: é a recitação perpétua
do breve e belíssimo verso inicial.

In A Nuvem, Carlos Poças Falcão

8 Comments:

  • At 1:23 da manhã, Blogger wind said…

    Não sei que escrever, sinceramente, é um poema belo e "forte"! beijos:)*

     
  • At 8:47 da manhã, Blogger frog said…

    ..."mas os livros brilham abertos toda a noite e aquecem o que os homens entregam para arder"

    Um beijo

     
  • At 3:56 da tarde, Blogger manuel said…

    "as palavras e as coisas" são todas elas criptogramas no grande livro do universo! inspirados os poetas que os conseguem decifrar!...

    mais um poeta que te "devo", Maria!

    beijos

    DonBadalo

     
  • At 6:00 da tarde, Blogger lique said…

    Não conhecia o poeta. O poema é extrordinário, uma visão cósmica da força das palavras. Beijinhos, Maria.

     
  • At 10:02 da tarde, Blogger JPD said…

    Não conheço ete autor.
    É a primeira vez que dele leio alguma coisa.
    A escolha merece aplauso porque o texto é muito interessante.
    O nosso quotidiano é impensável sem a frequência dos livros, afinal de contas, o melhor suporte de ideias e professias...além da nossa memória, da nossa cognição.
    Bjs

     
  • At 6:53 da tarde, Blogger Nilson Barcelli said…

    Excelente pedaço de texto que escolheste.
    Parabéns por esse zoom.
    Beijinho

     
  • At 8:46 da tarde, Blogger M.P. said…

    Livros de Sabedoria que não esvanecem com tempo. Livros a que o tempo transforma em Farol de Vida e que nos ajudam a procurar Nortes quando somos assolados por ondas altas que nos despenham em abismos de desorientação! :)**

     
  • At 10:55 da tarde, Blogger LetrasAoAcaso said…

    A nossa relação com a leitura, regra geral, parece não ser a melhor. É um lugar comum, mas os Portugueses lêem pouco. Por variadíssimas razões. Porque o livro ainda tem preços proibitivos, porque não há um hábito de leitura arreigado à nossa tradição cultural, sobretudo por falta de uma política cultural consistente, que dê prioridade a uma educação de qualidade, em lugar da Educação obrigatória que apenas procura cumprir objectivos meramente numéricos, lançando-nos num enganador gráfico de não-analfabetos. No último quartel do século XVII, início do século XVIII, o livro passa a estar mais acessível, mercê de novas técnicas de tipografia, da alteração dos modos de produção, distribuição e consumo de textos. Passa a haver uma regulação interna do sector, com o inevitável aumento do consumo literário, que passa por uma série de medidas: a definição comercial e jurídica da propriedade literária, a profissionalização de alguns autores, o hábito do periódico e do jornal, de uma forma mais generalizada, torna aspectos fulcrais na mercantilização da escrita. O conceito da propriedade literária constitui um sinal inequívoco da extensão e lógicas culturais de um capitalismo, também preocupado com o domínio da linguagem e das formas. A representação da sociedade de mercado e da nova economia da produção cultural, permite apreender problemas ideológicos na transição entre modos de produção. A independência económica alicerçada na privatização da imaginação e da linguagem, e a consequente mercantilização da literatura, deixam de ser obstáculos a uma nova esfera social comercializada. Todavia e, apesar de todas estas mudanças e avanços, continuamos a ler pouco. A lógica apontaria no sentido de um maior número de pessoas com acesso ao livro; mas os conceptualismos neo liberais de um capitalismo mais interessado em encapotadamente, manter as pessoas fora do universo cultural, de forma a poder exercer um domínio exploratório, visando apenas o lucro, privam uma maioria esmagadora do prazer de ler, ao mesmo tempo que adquiririam conhecimento. É óbvio, que não é o que o Sistema deseja.

    Um beijo Maria. Hoje abusei do teu espaço...

     

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