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palavras...como "rosas de areia" ou "flores do deserto"...

sexta-feira, abril 29, 2005

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DÁ-ME A TUA MÃO

Dá-me a tua mão: vou agora contar-te
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei naquilo que existe
entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo
e que é a linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois factos existe um facto,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo,
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.


Miguel Torga

3 Comments:

  • At 9:10 da tarde, Blogger M.P. said…

    Há silêncios que valem por serem emoções, há silêncios que doem por serem prisões. Há silêncios que são necessidades de olhar para dentro de nós. Há momentos em que o silêncio é morte. Há silêncio que chora com outros silêncios. Enfim há silêncio. E nós precisamos desse silêncio para nos encontrarmos. Bom fim de semana!**

     
  • At 11:06 da tarde, Blogger lique said…

    Um silêncio tornado palpável. Gosto de Miguel Torga. Beijinhos, Maria.

     
  • At 11:07 da tarde, Blogger JPD said…

    Olá maria!

    O recurso ao silêncio como mecanismo apaziguador de certos tumultos emocionais é um recurso que prezo.
    O mais importante, porém, é aquele que permite estarmos entregues a nós próprios para nos deleitarmos com a terefa que decorre enquanto o silêncio vigora.

    Bjs

     

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