comorosasdeareia

palavras...como "rosas de areia" ou "flores do deserto"...

quinta-feira, março 10, 2005

vento1.jpg


Interioridade

Aqui estou, cercada de mim,
melancolia trazida
do interior de um bosque,
silhueta a preto e branco
na figuração de um pássaro em voo lento.

Há quanto tempo,
só eu sei quanto,
as amarras de um barco
se quebraram,
no interior frágil
do instante em que fui vento,
ou apenas um abandono breve,
como as mãos no acto de dar.

No ângulo do grito e da língua
se explica a leveza das lágrimas,
circunfluência no interior das pálpebras,
longínquo lago na cintura dos lábios.

Cheguei ao lugar onde se cruzam
todos os ventos sem hálito
e chamo pelo nome os frutos e a fome,
para que ninguém se comprometa
ao tocar nos meus ombros.

Graça Pires

5 Comments:

  • At 4:03 da tarde, Blogger wind said…

    Mais um lindo poema desta poetisa que tenho conhecido através de ti:) beijos:)***

     
  • At 7:40 da tarde, Blogger lique said…

    Por vezes ficamos assim. Tal qual. O poema é lindo, Maria. Beijinhos e boa semana.

    Deixo-te um endereço alternativo onde, por vezes, também me podes encontrar:
    http://eu-de-novo.blogspot.com

     
  • At 12:03 da tarde, Blogger folhasdemim said…

    Gostei do blog. Excelentes as tuas escolhas. Beijos, Betty :)

     
  • At 3:45 da tarde, Blogger manuel said…

    "No ângulo do grito e da língua
    se explica a leveza das lágrimas (...)longínquo lago na cintura dos lábios"! fico saboreando estes versos e sinto vibrar o eco das mulheres que me povoaram a infância : sofridas, mas sem tempo para as lágrimas!

    grato, Maria! beijos

     
  • At 10:22 da tarde, Blogger JPD said…

    Olá maria!

    Mais uma excelente escolha!
    Gostei muito.
    O teu trabalho de antologiar a poesia de autores portugueses continua admirável.

    (Como andei a rever os «settings», sem querer, accionei o inibidor de comentários: eis a dificuldade que experimentaste)
    Bjs

     

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home