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palavras...como "rosas de areia" ou "flores do deserto"...

quarta-feira, maio 25, 2005

preso.jpg
FOGO PRESO
Quando se ateia em nós um fogo preso,
o corpo a corpo em que ele vai girando
faz o meu corpo arder no teu aceso
e nos calcina e assim nos vai matando
essa luz repentina até perder alento,
e então é quando
a sombra se ilumina,
e é tudo esquecimento, tão violento e brando.
Sacode a luz o nosso ser surpreso
e devastados [nós] vamos a seu mando,
nessa prisão o mundo perde o peso
e em fogo preso [à noite] as chamas vão pairando
e vão-se libertando
fogo e contentamento,
a revoar num bando
de beijos tão sem tento
que não sabemos quando
são fogo, ou água, ou vento,
a revoar num bando
de beijos tão sem tento
que perdem o comando
do próprio esquecimento.

Vasco Graça Moura

9 Comments:

  • At 11:25 da tarde, Blogger wind said…

    Forte como o fogo:) Beijos:))**

     
  • At 4:40 da tarde, Blogger M.P. said…

    Em Amor, somos TUDO... Também um BOM feriado para ti, Maria... **

     
  • At 6:59 da tarde, Blogger on said…

    Ola Maria,
    a tua tradução do haiku foi uma das escolhidas pelo nosso convidado. Um novo desafio aguarda todos os amantes da poesia...

     
  • At 9:34 da tarde, Anonymous zezinho said…

    Belissimo. Gosto do GM.
    és uma ternura de menina, Maria.
    Um beijinho do amigo, Zé

     
  • At 10:01 da tarde, Blogger JPD said…

    Olá maria

    Fizeste uma escolha excelente.

    Bjs

     
  • At 11:00 da tarde, Blogger Nilson Barcelli said…

    Até cheira a pólvora este poema.
    Grande poeta.
    Boa escolha e eu não conhecia este poema.
    Beijo e bfs

     
  • At 5:16 da tarde, Anonymous manuel said…

    Fogo solto. Jorrar por todos os poros. E se o autor se "limitasse" a escrever poesia.. rss

    Beijo

     
  • At 8:07 da tarde, Blogger Márcia Maia said…

    Adorei esse poema, Maria. Um fogo preso que é flamejante e solto.
    Um beijo daqui, onde é outono e azul( hoje, pelo menos.) ;)

     
  • At 7:11 da tarde, Anonymous zezinho said…

    Lamento por Diotima
    O que vamos fazer amanhã
    neste caso de amor desesperado?
    ouvir música romântica
    ou trepar pelas paredes acima?

    amarfanhar-nos numa cadeira
    ou ficar fixamente diante
    de um copo de vinho ou de uma ravina?
    o que vamos fazer amanhã

    que não seja um ajuste de contas?
    o que vamos fazer amanhã
    do que mais se sonhou ou morreu?
    numa esquina talvez te atropelem,

    num relvado talvez me fuzilem
    o teu corpo talvez seja meu,
    mas que vamos fazer amanhã
    entre as árvores e a solidão?




    Vasco Graça Moura.


    Baci, baci tutti

     

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